O Teatro Micaelense teve a honra de ser o palco para a ante-estreia do filme “Anthero – O Palácio da Ventura”, o mais recente projecto de José Medeiros, onde se narra a história do poeta açoreano, o qual foi uma das principais figuras da filosofia e da literatura portuguesa.
Segundo o realizador, “é uma ficção baseada na vida e obra de Antero de Quental e que porventura poderá desvendar aspectos menos conhecidos de um homem extraordinário.”
Ainda antes de ser transmitido na RTP-Açores, irão ser feitas várias apresentações públicas, nomeadamente np Teatro Faialense, nas Casas dos Açores em Lisboa, Porto e Faro e provavelmente na Universidade de Boston, tudo com o intuito de levar a película “a um número mais vasto de pessoas.”
Será com muito prazer e orgulho que irei assistir a essa grande produção açoreana.
Para todos os que se interessam pelo trabalho de Antero, essa é a oportunidade de conhecer ainda mais a sua vida.
O Palácio da Ventura
Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busca anelante
O palácio encantado da Ventura!
Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formusura!
Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais!
Abrem-se as portas d'ouro, com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão -- e nada mais!
Antero de Quental